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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Entrevista: Warpath e Baixo Calão






Voltando a pisar em terras amapaenses a WARPATH (Thrash Metal) foi novamente convidada como headliner da primeira edição do Undergrind – O Retorno dos Malditos, que contou também com a participação da banda paraense Baixo Calão (Grindcore). Os grupos já se apresentou outras vezes por aqui e  tem um público fiel. Aproveitando a oportunidade, o blog Olhar Alternativo bateram um papo nada convencional em dose dupla com membros de ambas as bandas. Acompanhe!

Por: Bruno Monteiro e Jessica Alves

Warpath

Como foi o início da banda?
Márcio: começamos já faz treze , quatorze anos. Começamos como MERCY KILLIN e já tocamos em Macapá como MERCY KILLIN ma vez. De 1999 até 2004, ficamos com esse nome e, em 2004, mudamos para WARPATH. Antes, tínhamos várias formações e, com a WARPATH, estabilizamos, basicamente, como trio: eu, o Danilo (guitarra) e o baterista (Willian). Temos material gravado, um CD...
(Pausa para bagunça e risos)


(Voltando...)


Márcio: a discografia que nós temos é essa. Chegamos a gravar um material como MERCY KILLIN  depois gravamos uma demo e um CD já como WARPATH. Fizemos uma turnê ano passado na Europa com o BAIXO CALÃO, na qual rodamos oito países.

Houve muitas trocas de membros ou são vocês desde o inicio?

Márcio: quando a gente se chamava MERCY KILLIN, era mudança direto...
Danilo: Daquele grupo, só ficou eu e o Márcio.
Márcio: o Willian entrou alguns anos depois e ficou estabilizado nós três.
Danilo: o Willian está tocando com a gente já tem mais de dez anos.

Quais são as dificuldades que vocês enfrentaram e enfrentam ao longo do tempo?

Márcio: a maior é a financeira (risos). Queremos gravar alguma coisa, mas sempre esbarra nessa questão. Mas, em acesso a viagens, temos conseguido fazer turnês. Já fizemos no nordeste e tem essa que fizemos na Europa ano passado. Na verdade, o que estamos buscando mais é fazer gravações ao longo desse tempo.




Em 2011, vocês venceram uma seletiva para o Wacken Open Air. O quanto isto representa pra vocês, poder representar o Brasil no exterior?

Márcio: é válido. Se bem que selecionar bandas é uma coisa muito difícil, dizer “ah, essa banda é melhor do que a outra”.

Willian: o maior não é nem ganhar uma disputa de bandas. O que toda banda pensa quando se inscreve é conseguir gravar um disco por uma grande gravadora e se apresentar num grande festival: a ideia maior é essa. Esse negócio de disputa de bandas não é muito legal.

Vocês já abriram para shows de bandas como Torture Squad, Desaster e Violator. Qual a sensação de fazer parte disso e tocar com elas?

Márcio: o bacana é que criamos amizades e elos. O lado positivo é mais isso: criar esse vínculo com bandas de outros Estados e países. Tocamos com o DESASTER em Teresina (PI) e criamos um elo muito grande com o batera deles, o Tormentor. O básico disso é você criar esse vínculo com essas bandas de outros lugares.


O EP Massacre foi lançado em 2010, teve boa repercussão e ganhou boas resenhas. Ele teve lançamento internacional?
Márcio: Diretamente, não. A divulgação foi feita porque alguém levava. Não teve um selo que distribuísse, mas, quando viajamos, deixamos material lá. Por sinal, lemos resenhas de países que nem sabíamos que tinham escutado nosso som. Resenha da Rússia, por exemplo.
Willian: Quando fomos tocar lá, o pessoal já conhecia o disco e, depois que voltamos para o Brasil, surgiu a oportunidade de relançar o disco, só que em LP. Desde 2010, isso foi muito frutífero também.
Danilo: Oportunidade de split também apareceu. Estamos negociando e estudando as propostas. O BAIXO CALÃO tem um split com uma banda da República Tcheca.

Nos últimos anos, o país tem passado por um revival do Thrash Metal com o surgimento de bandas como WARPATH, BYWAR e VIOLATOR. Como vocês veem esse ressurgimento do Metal inspirado naquele que surgiu no Estados Unidos na década de 1980?
Márcio: Na verdade, nunca atentamos para isso, íamos apenas tocando. Nunca decidiu “Ah, vamos tocar que nem na década de 80, década de 90, seja lá o que for”. Ia tocando. Fazia música sem se preocupar com esse negócio de “Ah, é 80, 90...”.
Danilo: o negócio é fazer Thrash Metal.
Márcio: se soava como naquela época, melhor. Não temos aquela preocupação de “Vamos fazer uns riffs assim e tal”. Fazemos, gostamos, então beleza. Gostamos de tocar Thrash Metal do jeito que achamos melhor.

Baixo Calão 





 Como foi o turnê européia com o Baixo Calão? Como foi essa experiência?


Márcio: só o fato de irmos para lá foi muito positivo. Sabemos que não é fácil, ainda mais que somos aqui do norte. Mas o que é bacana lá é que o pessoal gosta do som das bandas brasileiras, eles dão valor.
Willian: é difícil pra caramba produzir uma turnê dessa, tem que ter apoio. Apesar de árdua pra porra, o resultado é muito grande. Estávamos tocando no berço do Thrash alemão, que é uma influência muito grande para a WARPATH. Foi muito bacana ver um público que está acostumado a ver as bandas que nasceram lá curtir o nosso som, foi muito gratificante. Acabamos conhecendo muitas bandas e isso é fantástico.

Vocês já tocaram várias vezes aqui em Macapá. Como vocês avaliam a energia do público macapaense?

Willian: Tocamos pela primeira vez aqui em 2007...
Márcio (interrompendo): não, 2003, como MERCY KILLIN.

Willian: Cada vez que a gente voltava, o público ia mudando. Sempre gente nova na cena. Isso que é do caralho em Macapá.

A banda foi criada em 1996 e a sonoridade era mais voltada para o Punk. Como se deu a evolução da sonoridade até chegar ao Grindcore que é hoje em dia?

“Porco”: Sempre quisemos tocar Grind, só que, pela nossa “alta qualidade”, não conseguia tocar. Tínhamos que apelar para o Punk Rock até conseguir. Não tinha como tocar porque nosso batera ou tocava a caixa ou tocava o bumbo. Quando ele tocava o bumbo, esquecia a caixa. Aí a mudança surgiu assim. Começamos, de fato, a pegar o feeling da coisa.
Beto: foi também o querer de tocar Grindcore. Também ocorreu a mudança de formação, o que ajudou totalmente.




Willian: Hoje a gente não tem tanta técnica assim (risos), mas dá pra fazer um pouquinho melhor. A ideia da banda é a mesma de 1996. O pessoal fala que a banda mudou muito, já teve entrevista em blog que comentam “Ah, antigamente vocês tocavam Punk Rock e, hoje em dia, vocês são Grindcore”. Mas a essência da banda é a mesma, o que mudou foi só o tipo de música. A base sempre vai ser a mesma: Punk/Hardcore. Não tem muita diferença não, é mais a parte musical mesmo, que nem é tão importante (risos).

Vocês tocaram ano passado aqui em Macapá no IV The Dead Shall Rise, que, por sinal, foi um show de muito destaque. Como vocês avaliam a energia do público amapaense?

“Porco”: Passei muito tempo da minha vida tendo contato aqui, mas nunca dava para trazer a gente. Depois de 16 anos de banda, tem a oportunidade de vir aqui. Superou as expectativas. O pessoal queria, ficou aquela galera que lembrava de nós, mas avisava pra moçada: “Olha galera, não vão pensando que vamos tocar Punk Rock que isso é de ’96, esquece isso”. Só que, quando chegou a hora, o público era totalmente outro, com uma energia fudida mesmo. A gente saiu de alma lavada, saca? Foi muito massa, dei valor pra caralho!

Beto: foi muito louco, foi a primeira vez que eu viajei de avião (risos). Foi bacana, deu uma galera que curte peso mesmo. A primeira vez que o meu nariz sangrou foi aqui (risos). Eu pensava que nariz de negro não sangra (risos). Foi na hora que tava tocando a banda de São Paulo, qual era o nome?

Willian: Nervochaos.

Beto: Nervochaos. Por sinal ajudaram muito a gente.

Willian: eu achei que esse show surpreendeu um pouco, a mim principalmente. Um show muito energético, muito enérgico. Foi uma troca muito porrada.

Beto: foi uma roda violenta.

Willian: uma das melhores que eu vi. O show foi mais do que eu imaginava.

Beto: isso é a base do que estamos esperando hoje.

Willian: ainda mais com essa onda de protesto (referindo-se às passeatas pela diminuição das passagens de ônibus e contra o fim da corrupção), a galera está com sangue nos olhos.

Beto: e é o clima que gostamos, cara. Em Belém... Égua! Todo show dá merda, cara! Gente que se quebra...

Willian: alguém quebra a perna...

Beto: menino cortou a cara, menina pegou um soco, queimam palha de aço assim (nesse momento, Beto gira o braço por cima do corpo como se estivesse segurando palha de aço).

A banda tem 17 anos. Como vocês avaliam as principais conquistas e o momento atual?

“Porco”: a maior conquista da banda é permanecer viva.

Willian: o maior mérito é não ter acabado.

“Porco”: isso mesmo. O maior mérito é não ter acabado porque manter banda é foda, tem que engolir muito sapo. Essa é primeira conquista. Até em terreiro de macumba já nos convidaram para tocar (risos). Enfim, temos a banda desde ’96 e só conseguimos gravar em 2003. Foi quando que a gente parou e falou “Pô, vamos gravar alguma coisa, cara? Está na hora de deixar esse ostracismo”. Aí conseguimos gravar o primeiro disco em 2003. Belém, na época, estava no auge do Metal e a galera dizia “Vocês estão doidos de praticar um estilo que a galera não curte”. Aí eu falava: “O importante da banda, primeiro, tem que ser os músicos, porque se você quiser tocar só para os outros, a sua banda vai acabar”. Depois disso, veio o Discrença, que foi bacana. Depois veio o Tu Crias, que foi a hora que ficamos mais responsáveis e entramos de cabeça no estúdio. No Atmo, de fato, foi aquele feeling programado, com tabelinha.

Beto: o ano que lançamos o Atmo foi o ano que fizemos a turnê.

“Porco”: Foi uma grande bandeira de conquista. Teve o show do Ratos (de Porão), que foi nossa pré-conquista, ter tocado num showzão. Muito gente de Belém, apesar dos quinze anos que tínhamos, nunca tinha nos visto. Teve a oportunidade de ver no Ratos e falava “Égua! Vocês tem quinze anos?” E eu respondia “É, tem sim!”. A turnê, para a maioria que olha de fora, vai dizer “Ah, foi a maior conquista deles”. De fato, é uma coisa fudida. Estávamos lisos! (risos). Passar trinta dias lá na Europa, pirando e...
Beto: comendo bem, bebendo bem, fumando bem (risos).

“Porco”: tocando pra cacete...

Willian: vivendo só o que ouvíamos falar.

“Porco”: vivendo coisas que eu lia em zine e, de repente, estávamos lá. Olhava e pensava “Pô, saímos da puta que pariu e, chegando lá, os caras compram camisa, compram CD, nos tratam bem, mesmo com o nosso português bem dizido. E eles tentando entender da forma mais paciente do mundo nosso “the book is on the table”, principalmente o meu. Mais uma conquista: vamos lançar um split em vinil. Vai ser lançado lá fora, fruto da turnê. Agora a próxima missão é de trazer ele para cá. Enfim, é mais outra conquista nossa.



Como vocês avaliam a cena underground de Belém?
“Porco”: hoje, pelo menos, tem bandas de vários estilos, tem público para Grind, tem público para som extremo. O público vai, paga. Teve uma época que tinha um marasmo fudido em Belém: todas as bandas queriam ser as mesmas, montavam a banda pensando em público.

Willian: em ’98, tínhamos que fazer show na pracinha porque não tinha show em Belém. Pegava bateria velha, botava lá e ainda chamava umas 15 bandas de outros bairros para tocar, porque Belém não tinha nada, até então.

“Porco”: hoje tem shows com várias bandas, o público presente, comprando camisa, CD, material...

Willian: o underground não está mais tão underground. Hoje em dia, está muito profissional agora. Produtores de shows estão tentando chegar mais perto do profissionalismo. Apoio, estrutura, distribuição, bandas estão gravando e sendo distribuídas...  está melhor agora.

“Porco”: antigamente, a estrutura era totalmente desdentada, era no osso mesmo, aquele microfone da Xuxa (risos)

Beto: Na época que eu entrei, em 2002, era uma parada dividida: o pessoal do Metal e o pessoal de um Hardcore meio melódico, que não é muito a minha cara. O BAIXO CALÃO era do Metal, tocava Grindcore e tinha idéias punks.

Willian: hoje em dia, a cena está misturada, somando cada vez mais: é público de Metal, Hardcore, Grindcore... tudo misturando, fortalecendo os shows.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Undergrind - o Retorno dos Malditos






















Foto: Jéssica Alves

Por: Bruno "Blackened" Monteiro

O underground amapaense é cheio de bandas promissoras e apoiadores engajados no sucesso dos eventos dedicados à música pesada. Cada festa que passa sente-se que há uma significativa melhora na qualidade oferecida pelas celebrações, em diversos aspectos (shows, casas, público, estrutura de palco, som, iluminação, consumo interno...). Merece destaque também os cuidados tomados para que o acontecimento dê certo, contornando possíveis imprevistos.

É o caso do 1º Undergrind, realizado neste final de semana pela Zombie Produções, Underground Produções e alguns parceiros, como Na Base Skateshop, Xenious Hotel e Programa Café com Notícias e que aconteceu na boate Disco Gloss.

Um desses cuidados, já de praxe, é a presença de menores no local, a qual não foi permitida dentro da sede. Do lado de fora, um comunicado explicava o porquê da proibição, com palavras como “Lamentamos por você, menor de idade, não poder banguear nos nossos eventos, mas lei é lei”. Mensagem transmitida de maneira bem sacada, ao meu ver. O evento também teve que contornar o desfalque da CARNAL REMAINS. A primeira encerrou atividades devido o baterista Ronald Vomitory ter viajado para outro Estado e nenhum dos integrantes da segunda apareceu.

O Undergrind trouxe novamente à capital amapaense as bandas WARPATH (Thrash Metal) e BAIXO CALÃO (Punk/HC/Grindcore), cujas performances matadoras já eram bastante conhecidas da platéia, que não deixou por menos e festejou tanto quanto das outras vezes. Horas antes dos shows começarem, o blog Olhar Alternativo teve a chance de entrevistar as bandas convidadas. Receptivos, simpáticos e descontraídos, os músicos falaram sobre o início das atividades, das dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, dos metalheads, das bandas com as quais já tocaram e da repercussão dos discos que cada um lançou. Em breve postaremos no blog.

Voltando ao Undergrind, também era possível adquirir produtos dos headliners na Banquinha Banguer instalada ao lado do palco, que mudou para um espaço um pouco maior do grande salão onde rolaram as performances. Continuava pequeno, mas relativamente maior do que a “caixa de sapato” que era o canto anterior. Lamentavelmente, não era possível adquirir Caedem, pois a prensagem do álbum não ficou pronta em tempo de chegar à disposição do público amapaense.





VISCERAL SLAUGHTER (AP) foto: Bruno Monteiro

Outro destaque do evento foi a estréia da nova empreitada dos ex-integrantes da ANONYMOUS HATE depois da morte do guitarrista Heliton Coelho, em março deste ano. Sob o nome VISCERAL SLAUGHTER e já lançando o debut Caedem (“matança”, em latim), Victor Figueiredo (vocal), Fabrício Góes (guitarra), Romeu Monteiro (baixo) e Alberto Martinez (bateria) subiram ao palco e começaram o massacre visceral que tomou conta da Disco Gloss nas horas seguintes.

O grupo começou tocando Endless Bloodshed, composição divulgada anteriormente nas redes sociais e que obteve boa recepção. Assim como nas apresentações da banda anterior, os músicos (especialmente Victor e Fabrício) esbanjaram bom humor e brincavam o tempo inteiro com a platéia, ao intervalo de cada música.

A banda continuou tocando as já conhecidas Search for Power, Blood and Pain e as inéditas Open your Grave e Scars of Tyranny, todas presentes no full-lenght. Ainda com a tradição dos covers, a VISCERAL SLAUGHTER interpretou uma do BRUJERIA (La Migra, embora alguns tivessem pedido por Matando Güeros) e Carnal, da banda de Death Metal polonesa VADER. Ótimas músicas e performance, o que garantiu a satisfação dos metalheads que testemunharam a estréia (e por que não, de certa forma, um retorno?).





WARPATH (PA) foto: Jéssica Alves

Depois desta estréia visceral, chegou a vez de uma das headliners da noite: WARPATH, de Belém do Pará. Apesar do set curto, a banda destruiu tudo com músicas como Tortured Until the Soul, The Killing Time, Bombs with American Stamps e Reign of Hell. Cabelos voaram para todos os lados e moshes brutais tomaram conta da casa, que veio abaixo a cada riff despejado. Com certeza, avaliando as apresentações anteriores por aqui (em 2011 na boate Proibidus e em 2012 no Dead Shall Rise), a WARPATH é uma das bandas mais queridas dos amapaenses. Parabéns,WARPATH! Thrash ‘em all!



BAIXO CALÃO (PA) foto: Jéssica Alves

Mas os moshes da WARPATH não se compararam aos que se formaram na apresentação da headliner seguinte: BAIXO CALÃO. Basicamente, o grupo é formado por membros da WARPATH e mais dois vocalistas. Os moshes tomaram conta de toda a performance, do início ao fim, tendo como trilha sonora peças como Aglomerados, Honra ao Mérito, Nem Resetando, Fracassar, Amazônia Nunca Mais, Coprofagia, Último Comprimido e Paz Armada.




OBHTUS (AP) foto: Jéssica Alves

Encerrando o Undergrind, OBTHUS. Como a banda quase não se apresentou devido o desfalque do baterista (por questões profissionais), diversos músicos foram convidados para assumir o posto, entre eles Willian (WARPATH e BAIXO CALÃO), Anderson Coutinho (Opus Profanus) e Alberto Martinez (VISCERAL SLAUGHTER). A boate estava quase vazia por causa da incerteza se a OBTHUS se apresentaria ou não, mas mesmo assim mandou muito bem seu recado.

Priorizando os covers desta vez, tocaram Tormentor, Enemy of God, All of the Same Blood (KREATOR), For Whom the Bells Tolls (METALLICA), Black Magic (SLAYER), Generation Dead (TORTURE SQUAD), Bite the Pain (DEATH) e Black Metal (VENOM). As três últimas do set (Nothing to Say [ANGRA], The Number of the Beast [IRON MAIDEN] e Painkiller [JUDAS PRIEST]) foram improvisações e tiveram a participação de Ravel Amanajás (vocal, KEONA SPIRIT).


Mais uma vez, provamos que temos uma cena poderosa e unida o suficiente para exportar nosso Heavy Metal. Quero parabenizar a todos que colaboraram para que Undergrind pudesse representar tudo isso e muito mais! E ficamos na torcida para que venha logo a segunda edição!

Confira mais fotos do evento na nossa página do FACEBOOK 




Foto: Jéssica Alves


Foto: Jéssica Alves


Foto: Jéssica Alves



Foto: Jéssica Alves




Foto: Bruno Monteiro 



Foto: Jéssica Alves




Foto: Jéssica Alves 


Foto: Jéssica Alves


 Foto: Jéssica Alves

segunda-feira, 2 de abril de 2012

IV The Dead Shall Rise – Segundo dia


Jéssica Alves
Para quem ainda tinha fôlego, pescoço e disposição física, entre outros fatores, no domingo rolou a segunda rodada do IV The Dead Shall Rise – Metal Fest, e deu continuidade ao evento headbanguer na Sede dos Escoteiros, considerado o maior festival do gênero no Amapá. Dessa vez, o número de presentes foi reduzido, mas esse fator em nada afetou a resposta do público e a qualidade evento. 

Para começar, sobe ao palco a banda Obthus, com seu thrash porrada e covers de maiores influências, como Sepultura, Slayer, Venom, entre outros.  O que curto dessa banda é isso, apesar de em muitos eventos serem os primeiros a tocar, o que é difícil, a empolgação que eles têm de levar as músicas clássicas do metal não se altera. Muito bem executadas, com destaque a vocal agressivo de Diego. 

Próxima banda, Matinta Pereira, chegou bem agitada, com o grind/death core, com pegadas de hardcore e música regional que conquistou vários fãs. O vocalista apresenta-se de maneira insana, contagiando ao público e o restante da banda. Um verdadeiro e brutal esquenta para o restante da noite. 

Os donos da casa, Anonymous Hate, mostraram o porquê essa banda possui o respeito da cena local e o destaque em outros estados, representando (e muito bem) o Amapá. A noite marcou o lançamento oficial do álbum ‘’Red Khmer’’, e o grupo botou o povo para bengear muito com o grind/death metal, que já foi chamado em sites especializados de underground como uma revelação nacional. Além disso, outras canções já conhecidas dos fãs foram levadas, dos trabalhos anteriores como ‘’Caotic World’’ e "Worldead". Uma apresentação fantástica e agressiva, com a resposta imediata do público. E como sempre, Albert Martinez e sua metralhadora em forma de bateria, as guitarras violentas de Fabrício Góes e Heliton Coelho, o baixo também metralhado de Romeu Monteiro e o vocal brutal de Victor Figueredo são sinônimos de qualidade e o reconhecimento merecido é o resultado do esforço que esses fzem para produzir seu som. Aplausos e mãos chifradas!!

Após uma pausa, é a vez do punk metal (termo utilizado por esta blogueira, apenas por brincadeira) entrar no palco, com a banda Baixo Calão, de Belém (PA). E banda de punk é sinal que uma bela roda bem por aí, então, abram espaço. Velha conhecida da cena undergrond nacional, a  banda chegou do modo mais punk se ser, com músicas que são uma porrada na sociedade, seja de maneira sonora, ou por suas letras, sobre inconformismos. E regado a muito palavrão,– para mim a banda que mais faz jus ao nome rs – gritos e guturais. Um banda raivosa, especialmente o vocalista ‘’Porko’’, que fez um belo show e fez a galera agitar muito na roda punk.


Mudança na grade das bandas e chegou a vez dos paulistas da NervoChaos, que já possui algumas passagens por Macapá e tem um público consolidado. Admiro o som da banda desde a primeira vez que os vi, em 2011, e estava com uma boa expectativa da apresentação. E a resposta logo veio. 

Com 16 anos de atividades na música extrema, o quarteto pode ser considerado uma das melhores bandas de metal brasileira da atualidade, e também uma das mais importantes, pois sempre apóiam e são ativos na cena, nacional e em outros países, representando nosso Brasil. O show marcou o lançamento do álbum ‘’To The Death’’, e a banda ainda levou outras canções de sua carreira. Empolgados, o quarteto agitou a cada acorde, a cada canção e a cada resposta dos headbangers. Destaco o baixista Felipe Freitas, que possui uma velocidade e marcação impressionante, tocando sem palheta e bengeando sem parar. Virei fã desse cara \m/. E claro, os outros componentes, Guller (vocal e guitarra), Quinho (guitarra) e Edu Lane (bateria), completaram a devastação com qualidade sonora da NervoChaos, que realizou mais uma apresentação memorável em Macapá. 

E para fechar, os paraenses da Disgrace and Terror retornaram a capital amapaense depois de seis anos para mostrar o seu  thrash/death metal  agressivo e de qualidade. Formada em 2001, os músicos já fizeram várias apresentações no país, abrindo shows e bandas conceituadas no cenário brasileiro como Krisiun, Funeratus, Torture Squad, Nervo Chaos, Andralls, Claustrofobia e Executer, além das bandas estadunidenses Malvolent Creation e Cannibal Corpse. 

Essa foi a banda que mais aguardei, pois pela primeira vez os veria a vivo e não me decepcionei. Foi difícil dividir espaço na frente do palco com os demais headbangers que queriam conferir de perto o som da Disgrace. Mesmo passando de 1h30, o sono parecia algo inexistente naquele momento, tanto para a banda quanto para o público. Realmente entendi o porque os caras são tão queridos quando vem a Macapá. Destaque para o fim do show, que foi insanidade total. Que Rot (vocais), Aldyr Rod (bateria) e Rômulo Machado (contrabaixo) e Renato Costa (guitarra) retornem mais vezes a nossa terra.

Alias, não só a Disgrace, mas todas as demais bandas merecem parabéns pela humildade e competência em representar o cenário regional e brasileiro em eventos como esse. Por fim, digo que quem não compareceu ao segundo dia, perdeu e muito, pois ele foi o complemento de um evento que valorizou essencialmente o underground, produzido de maneira independente, com foco no melhor que é feito na música headbanger local, regional e nacional.

Parabéns aos organizadores da Zombie Produções por esse passo de valorização do metal. Que venham mais eventos como o The Dead Shall Rise, que continuem brindando o público amapaense com ótimas opções de banda e contribuindo assim para o fortalecimento da cena, em nível local e nacional.

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